A Prece de Um Cão...


(Liebe, a melhor!)
º
º
º

"Trata-me com carinho, meu amado mestre,
pois nenhum coração em todo mundo será mais agradecido que o meu.
Não tente me educar com pancadas,
pois embora eu possa lamber-lhe as mãos entre um golpe e outro,
a sua paciência e compreensão ensinar-me-ão mais rapidamenteas
coisas que espera que eu aprenda.
Fale-me muito, pois usa voz é a doce música do meu mundo,
como pode perceber, pelos sacolejos da minha cauda,quando ouço seus passos.
Quando o tempo está frio e chuvoso,conserva-me dentro de casa,
pois sou animal doméstico,
sem preparo para enfrentar as intempéries do tempo,
e a minha maior glória será o privilégio de sentar-me aos seus pés.
Conserve minha vasilha com água fresca,
pois além de não poder reclamar quando ela está seca
também não posso dizer-lhe quando tenho sede.
E, mestre quando eu estiver bem velho,
se o PODEROSO me privar de saúde e visão,
Por favor, não me vire as costas...
... faça-me o bem de deixar que a minha vida,
de dedicação e fidelidade possa se extinguir suavemente,
e eu o farei sentir com meu último alento,
que sempre me senti seguro em suas mãos.
Amém"

Ela Faz Cinema




Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual

Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
E a cada vez que o perdão
Me clama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais

Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz

Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração e quando o meu coração
Se inflama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim

Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim.

A Incompreensão dos Mistérios




" Saudades de minha mãe.
Sua morte faz um ano e um fato
Essa coisa fez eu brigar pela primeira vez
com a natureza das coisas:
que desperdício,
que descuido,
que burrice de Deus!
Não de ela perder a vida
mas a vida de perdê-la.
Olho pra ela e seu retrato.
Nesse dia, Deus deu uma saidinha
e o vice era fraco. "



(Elisa Lucinda)

Maturidade no Amor

" .... O amor nos tira o sono,
nos tira do sério,
tira o tapete debaixo dos nossos pés,
faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados,
mas também com insuspeitada audácia e generosidade.
E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida.
Por outro lado,
é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância.
Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma,
terá de vir com jeito.
Somos um território mais difícil de invadir,
porque levantamos muros,
inseguros de nossas forças
disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes.
A maturidade me permite olhar com menos ilusões,
aceitar com menos sofrimento,
entender com mais tranqüilidade,
querer com mais doçura.
Às vezes é preciso recolher-se... "

Separação...




Desmontar a casa e o amor.
Despregar os sentimentos das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas após a tempestade das conversas.
O amor não resistiu às balas, pragas, flores
e corpos de intermeio.
Empilhar livros, quadros, discos e remorsos.
Esperar o infernal juizo final do desamor.

Vizinhos se assustam de manhã
ante os destroços junto à porta:
- pareciam se amar tanto!

Houve um tempo:
uma casa de campo,
fotos em Veneza,
um tempo em que sorridente
o amor aglutinava festas e jantares.

Amou-se um certo modo
de despir-se
de pentear-se.
Amou-se um sorriso
 e um certo modo de botar a mesa.
Amou-se um certo modo de amar.
No entanto, o amor bate em retirada
com suas roupas amassadas, tropas de insultos
malas desesperadas, soluços embargados.

Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?

No quarto dos filhos
outra derrota à vista:
bonecos e brinquedos pendem
numa colagem de afetos natimortos.

O amor ruiu e tem pressa de ir embora
envergonhado.
Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objetos, morará na praia?
Viajará na neve e na neblina?
Tonto, perplexo, sem rumo
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.

No peito o coração pesa
mais que uma mala de chumbo.

(Affonso Romano de Sant'Anna)

Intervalo



João, nós temos visita
vamos fingir felicidade
a casa organizada
os sentimentos em ordem
Vamos fingir harmonia
e equilíbrio emocional
vamos pôr a empregada
de avental.
Vamos sorrir serenos
falar baixo, pisar leve
(que a paz more conosco)
mesa posta, flor no vaso
cerimônia, chá servido
comentários em geral
-João adora... eu prefiro
você também? que engraçado

É, a vida é assim mesmo
mas não há nenhum problema
que não possa ser superado

E depois etc. e tal
tudo em volta funcionando
com a maior perfeição
todos os gestos medidos
para dar boa impressão.
As coisas dentro dos eixos
o coração em horário

João, nós temos visita
tira o jornal do sofá
guarda a angústia no armário.


(Bruna Lombardi)

Dá-lhe, Poetinha....


SALVE JORGE !!!




Jorge sentou praça na cavalaria
eu estou feliz
porque eu também sou da sua companhia .....
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo o pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogomeu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é de Capadócia ...


(Jorge Benjor)

Não Precisa Ser Para Sempre...

.... mas precisa ser ATÉ O FIM!!!




'Para sempre', em minha opinião, é nada mais nada menos que um dia depois do outro. Ou seja, é construção. Em princípio, não existe. Mas basta que façamos a mesma escolha sucessivamente e teremos construído o 'para sempre'. O que quero dizer é que o 'sempre' não é magia nem tampouco um tempo que pré-exista. Ele é conseqüência. Nada mais que conseqüência de uma sucessão de dias, vividos minuto por minuto. Quanto ao amor, tem gente que acredita que só é de verdade se durar "até que a morte os separe". Outras, como o grande Vinícius de Moraes poetizou, apostam no "que seja eterno enquanto dure". Eu, neste caso, admiro a coragem de quem vai até o fim, de quem se entrega inteiramente ao que sente, de quem se permite viver aquilo que seu coração pede até que todas as chamas se apaguem. Mais do que isso: até que as brasas esfriem e - depois de todas as tentativas - nada mais possa ser resgatado do fogo que um dia ardeu. Claro que não estou defendendo a constância indefinida de atitudes desequilibradas, exageros desnecessários ou situações destrutivas. Mas concordo plenamente com o que está escrito no comovente "Quase", de Sarah Westphal (muitas vezes atribuído a Luiz Fernando Veríssimo): ... "Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar"... Porque de corações partidos por causa de um amor vivido pela metade as ruas estão cheias. Assim como de almas que perambulam feito pontos-de-interrogação, a se questionar o que mais poderiam ter feito para que o outro também estivesse presente, para que não fugisse tão furtivamente, tão covardemente, tão sordidamente. É por isso que insisto: muito mais do que nos preocuparmos com o 'para sempre', precisamos começar a investir no 'até o fim', para que o 'agora' tenha mais significado, para que as intenções, as palavras, as atitudes e todos os recomeços façam parte de uma história mais sólida, menos prostituída, que realmente valha a pena. Então, questione-se: o coração ainda acelera quando o outro se aproxima? O peito ainda dói de saudade? O desejo ainda grita, perturbando o silêncio da noite? Não chegou ao fim! Não acabou. Sei que, em alguns casos, motivos de força maior impedem um amor de ser vivido (e daí a separação pode ser sinal de maturidade), mas na maioria das vezes o que afasta dois corações é muito mais intolerância, ilusões ou auto-defesas tolas do que algo que realmente justifique o lamentável desfecho. O outro não quer? Desistiu? Acovardou-se? Ok! Por mais imbecil que seja, é um direito dele. Esteja certo de que você fez o que estava ao seu alcance e depois... bem, depois recolha-se e pondere: "pros amores impossíveis, tempo". Tempo em que você terminará descobrindo que a vida tem seu jeito misterioso de fazer o amor acontecer, mas que - no final das contas - feliz mesmo é quem, apesar de tudo, tem coragem de ir até o fim!






HOJE: 199 anos da Biblioteca Nacional - RJ





A Biblioteca Nacional do Brasil, considerada pela UNESCO uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, é também a maior biblioteca da América Latina.


O núcleo original de seu poderoso acervo calculado hoje em cerca de nove milhões de itens é a antiga livraria de D. José organizada sob a inspiração de Diogo Barbosa Machado, Abade de Santo Adrião de Sever, para substituir a Livraria Real, cuja origem remontava às coleções de livros de D. João I e de seu filho D. Duarte, e que foi consumida pelo incêndio que se seguiu ao terremoto de Lisboa de 1º de novembro de 1755.

O início do itinerário da Real Biblioteca no Brasil está ligado a um dos mais decisivos momentos da história do país: a transferência da rainha D. Maria I, de D. João, Príncipe Regente, de toda a família real e da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, quando da invasão de Portugal pelas forças de Napoleão Bonaparte, em 1808.

O acervo trazido para o Brasil, de sessenta mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas, foi inicialmente acomodado numa das salas do Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Direita, hoje Rua Primeiro de Março.

A 29 de outubro de 1810, decreto do Príncipe Regente determina que no lugar que serviu de catacumba aos religiosos do Carmo se erija e acomode a Real Biblioteca e instrumentos de física e matemática, fazendo-se à custa da Fazenda Real toda a despesa conducente ao arranjo e manutenção do referido estabelecimento.

A data de 29 de outubro de 1810 é considerada oficialmente como a da fundação da Real Biblioteca que, no entanto, só foi franqueada ao público em 1814.


(retirado do site da Fundação Biblioteca Nacional)


Pedra Filosofal

"Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança."

Ana Cristina Cesar... uma poetisa que se foi.



"olho muito tempo o corpo de um poema

até perder de vista o que não seja corpo

e sentir separado dentre os dentes

um filete de sangue

nas gengivas"









No dia 29 de outubro de 1983, durante uma crise emocional, Ana Cristina Cesar pôs fim à própria vida. Ana C. – como costumava assinar – infelizmente desceu cedo do grande ônibus da vida. Mas, nos presenteou com versos simples e profundos. O suicídio da poetisa, quatro meses após completar 31 anos, deixou uma lacuna no que havia de melhor na poesia da década de 1970. Hoje, vinte e seis anos depois, é urgente homenagear aquela que foi um dos ícones da Poesia Marginal. Como diria Cacaso, em um poema dedicado à autora: “Ana Cristina cadê você?”.




O poema acima foi incluído no livro "Os cem melhores poemas brasileiros do século",
Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 249




(pesquisa retirada do PSTU )

Para as "twitteiras" .....

..... essas meias de seda estão sendo o que há !!!



vem AQUI e dá só uma espiadinha.....

Credo...

º
º
º


De tal modo é,

que eu jamais negá-lo poderia:

sou agarrada na saia da poesia!

Para dar um passeio que seja,

uma viagem de carro avião ou trem,

à montanha, à praia, ao campo,

uma ida a um consultório

com qualquer possibilidade, ínfima que seja, de espera,

passo logo a mão nela pra sair.

É um Quintana, uma Adélia, uma Cecília, um Pessoa

ou qualquer outro a quem eu ame me unir.

Porque sou humano e creio no divino da palavra,

pra mim é um oráculo a poesia!

É meu tarô, meu baralho, meu tricot,

meu i ching, meu dicionário, meu cristal clarividente, meus búzios,

meu copo d'água, meu conselho, meu colo de avô,

a explicação ambulante para tudo o que pulsa e arde.

A poesia é síntese filosófica, fonte de sabedoria, e bíblia dos que,

como eu, crêem na eternidade do verbo,

na ressurreição da tarde

e na vida bela.

Amém!




(Elisa Lucinda in "A Fúria da Beleza")

Qual Dos 2 Você Alimenta???




Um ancião índio norte-americano, certa vez,
descreveu seus conflitos internos da seguinte maneira:


- Dentro de mim há dois cachorros.
Um deles é cruel e mau.
 O outro é muito bom,
e eles estão sempre brigando.



Quando lhe perguntaram qual cachorro ganhava a briga,
o ancião parou, refletiu e respondeu:

- Aquele que eu alimento mais frequentemente.
 
 
 
(Paulo Coelho)

Uma Mulher Sincera!


Lucia ( a filhota caçula), por ela mesma....




{: Minha bagunça mora aqui dentro, pensamentos dormem e acordam, nunca sei a hora certa. Mas uma coisa eu digo: eu não paro. Perco o rumo, ralo o joelho, bato de frente com a cara na porta: sei aonde quero chegar, mesmo sem saber como! E vou. Sempre me pergunto quanto falta, se está perto, com que letra começa, se vai ter fim, se vai dar certo. Sempre questiono se você está feliz, se eu estou bonita, se eu vou ganhar estrelinha. Não gosto de meias palavras, de gente morna, nem de amar em silêncio. Eu tenho preguiça de quem não comete erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa! Ser louca, estranha, linda, chata! Eu sou assim. Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Tenho tpm. Sou viciada em gente, chocolate, sorvete, praia. Eu vivo para sentir. Sou intensa, exagerada, atrevida, curiosa, doce, ácida, tenho milhões de reticências. Aprendi que palavra é igual oração: tem que ser inteira senão perde a força. E força não há de faltar porque aqui dentro eu carrego o meu mundo. Sou menina levada, sou criança crescida com contas para pagar. E mesmo pequena, não deixo de crescer. Trabalho igual gente grande, fico séria, traço metas. Mas quando chega a hora do recreio, aí vou eu... Escrevo escondido, faço manha, tomo sorvete no pote, choro quando dói, choro quando não dói. E eu amo. Amo igual criança. Amo com os olhos vidrados, amo com todas as letras. AMO. Sem restrições. Sem medo. Sem frases cortadas. Sem censura. Eu nasci assim: conheço o fim e improviso o meio. Falta de juízo? Não sei. Preciso sentir antes de pensar. Só depois ajo. E vivo como vive quem planeja: bato a cabeça do mesmo jeito. Arrisco. Machuco. Choro. Dou gargalhada. Costuro. Me reconstruo. Me conheço. :}


(do Blog Etc & Tal )

Luiza, por ela mesma....




"Eu sou uma pessoa de muitas fases.. Algumas longas..

Acredito que nada é por acaso e que todas as coisas ruins que acontecem tem um fundamento justo!

Sou romântica, daquelas que esperam sempre muito mais do que as pessoas geralmente dão. Mas já me acostumei e decepções não me abalam mais..

Não tenho vícios, sou inquieta, dedicada e um tanto sarcástica.

Ganhei medalhas de boa aluna no colégio, sou esforçada em tudo que eu faço e não sei receber elogios.. fico sem graça!

Música? Gosto de tudo! Tudo mesmo! Sou capaz de ouvir de Kiss a fagner em uma mesma noite!

Amo livros, minhas coisas, as coisas que consegui com esforço e tenho ciúmes dos meus amigos.. Muitos ciúmes!

Não consegui me acostumar a ouvir não, mas sei dizer não que é uma beleza!

Não tenho pudores nem frescuras, sou pouco racional, demoro muito a tomar uma decisão séria, mas quando tomo dificilmente volto atrás.

Um compositor? Chico Buarque de Holanda

Adoro uma comédia pastelão mas um filmezinho de terror tem o seu valor!

Escrevo muito bem, tenho um blog, twitter, facebook, fotolog, tudo que uma boa internauta precisa ter!

Não levo jeito prá vida doméstica, mas me viro bem sozinha!

Eu sou boazinha... sou mesmo... e digo de coração, INFELIZMENTE!

Acredito nas pessoas, no que elas falam e quando vejo que não condiz com suas atitudes me sinto traída! Mas isso é um defeito meu...

Me apego com facilidade mas me desapego fácil também.. Isso já foi um grande problema! Hoje em dia é uma solução!

Não guardo roupa prá usar depois! Comprei, usei!

Amo vínculos! Superficialidade não é prá mim!

Já me iludi muito, chorei muito, mas hoje em dia aprendi a selecionar meus diamantes..

Pedaços de vidro já não me enganam mais!"


( do blog  Ponto E Parágrafo)

+ de Clarice


Eleições 2010:


.... ++++ ....


“…a vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.

A gente nasce, isto é, começa a piscar.

Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.

Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.

É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.

A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.

Um rosário de piscadas.

Cada pisco é um dia.

pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.

- E depois que morre? - perguntou o Visconde.

- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”




(Memórias de Emília, 1936, Monteiro Lobato)

Mais e Menos





Somar é a primeira operação matemática que se aprende, a que temos mais facilidade e que gostamos mais
Primeiro agente gosta de somar várias vezes palitos e giz, depois brinquedos e roupas da moda, depois somar dinheiro, depois somar carros e casas, e sempre somar alegria e felicidade.

Isto já é multiplicação, que também é fácil de aprender, é só somar várias vezes a mesma coisa. A Segunda operação que aprendemos é a subtração. Aí começa a ficar estranho. Principalmente quando tem que pedir emprestado na casa do vizinho, digo, casa decimal ao lado. Ninguém gosta mais de diminuir do que somar. Quando chega na divisão é quase um desespero, ainda mais quando sobra um resto.
É que ninguém entende aonde ou pra quem vai ficar o resto. Até no cotidiano ninguém gosta de dividir nada. A dificuldade no aprendizado não parece à toa, o homem rejeita essa prática. Quando o homem aprender a dividir corretamente e saber onde deve ficar o resto, entenderá que é o mesmo que somar para alguns, mantendo a quantidade de outros, sem necessariamente subtrair de alguém, ou seja, é o mesmo que somar igual para todos; entenderá também que somando os restos teremos mais um inteiro divisível, fazendo outros felizes.
O resultado final também é uma soma, a soma da felicidade geral. Poderíamos até chamar esta operação de soma distribuída.
Com esta visão, com certeza a matemática daria mais resultados, talvez fosse dispensável aprender contas de dividir e os homens continuariam felizes a somar palitos, brinquedos, dinheiros, carros, casas e felicidade, porém não somente para si.


Quem sabe?


(Rivalcir)

E A Vida Seria Mesmo Perfeita!!!!!


Co - Respondência




Remeta-me os dedos


em vez de cartas de amor

que nunca escreves

que nunca recebo.

Passeiam em mim estas tardes

que parecem repetir

o amor bem feito

que você tinha mania de fazer comigo.

Não sei amigo

se era o seu jeito

ou de propósito

mas era bom, sempre bom

e assanhava as tardes.

Refaça o verso

que mantinha sempre tesa

a minha rima

firme

confirme

o ardor dessas jorradas

de versos que nos bolinaram os dois

a dois.

Pense em mim

e me visite no correio

de pombos onde a gente se confunde

Repito:

Se meta na minha vida

outra vez meta

Remeta.

Idade Média






Essas pequenas coisas

que vocês discutem e temem

e esses deuses de poltrona

que vocês veneram

e levam para casa todos os dias

como a uma segunda pele

que queima e incomoda,

mas que é mais gentil

que a nudez diante de si mesmos;

e essas discussões sobre o óbvio

e esse medo do ridículo

que os leva a criar desculpas

por terem descoberto algo que lhes pertence

e por estarem usando as vidas que são suas,

às vezes me assustam um pouco de

viver nesse planeta.

Temo ser condenada à fogueira

por pensarem que viver é bruxaria.


(Liane dos Santos)

Sexta-Feira, à Noite...

Sexta-feira à noite



os homens acariciam o clitóris das esposas


com dedos molhados de saliva.


O mesmo gesto com que todos os dias


contam dinheiro papéis documentos


e folheiam nas revistas


a vida dos seus ídolos.


Sexta-feira à noite


os homens penetram suas esposas


com tédio e pênis.


O mesmo tédio com que todos os dias


enfiam o carro na garagem


o dedo no nariz


e metem a mão no bolso


para coçar o saco.


Sexta-feira à noite


os homens ressonam de borco


enquanto as mulheres no escuro


encaram seu destino


e sonham com o príncipe encantado.

 
(Marina Colassanti - do livro "Rota de Colisão)

Amor de Fã...



Você passaria a madrugada em frente ao prédio do seu namorado, esperando ele abanar da janela? Você escreveria para seu marido um bilhete com dois quilômetros de comprimento, escrito de ponta a ponta "te amo, te amo, te amo"? Você arrancaria um pedaço da camiseta dele com os dentes, choraria convulsivamente ao vê-lo sorrir, passaria fome e frio em troca de um rabisco feito por ele? Se ele fosse o Ricky Martin, que dúvida.


Mulher nenhuma faz pelo Zé que tem em casa o que faz pelo Fabio Assunção, pelo Rodrigo Santoro ou pelo Mauricio Mattar. Amor de fã é passional, ardente, insaciável. Elas fazem qualquer coisa por um homem que nunca viram antes, que não sabem se é bom ou mau caráter, se têm calos nos pés ou se limpa o nariz na manga da camisa.

Apaixonam-se por uma figura idealizada, por um príncipe de faz-de-conta, e assim compensam suas carências.

Quando vi milhares de pessoas, mulheres a maioria, fazendo vigília em frente ao hospital onde esteve internado o falecido cantor Leandro, pensei: será que elas fariam a mesma coisa por um pai, por um irmão, por um marido? Passariam em claro tantas noites, ajoelhariam-se na calçada, desesperariam-se dessa maneira? Desconfio. O sentimento que temos por nossos familiares é muito mais complexo: são relações de amor e ódio. A convivência humana é implacável. Por mais que amemos quem está próximo de nós, acreditamos que ouvir suas críticas e reclamações, vivenciar sua ironia e descaso, agüentar seus hábitos e manias, tudo isso vale como cota de sacrifício. Em caso de doença, não carece cair de joelhos na calçada, basta rezar uma Ave-Maria em casa.

Com nosso ídolo é diferente. Ele é lindo, rico, afetuoso, só tem qualidades. Facilmente o confundimos com os papéis que representa, com a música que canta. Ele nunca chegou atrasado a um compromisso com você, nunca chutou o seu cão, nunca roncou, nunca a decepcionou, simplesmente porque nunca se relacionou com você: é um amor unilateral e fantasioso. Você projeta no seu ídolo as qualidades que não vê em quem está a seu lado, e entra em surto quando tem a chance de receber dele algo real, nem que seja um autógrafo ou um fio de cabelo. Pecado não é, mas quem dorme sob nosso teto todos os dias merece, no mínimo, a mesma devoção.



BERNARDO




- Mãe, você tá dormindo?

- Não, filhote. (Sussurrando)

- Pode dormir com você?

- Pode...

- Mãe?

- Hem?

- Você tá de olho aberto?

- Tô. (Abrindo o olho)

- Você já brigou por amor?

- Brigar mesmo eu não briguei não, mas já fiquei de mal de uma

amiga do colégio, por causa de um menino que a gente

gostava...

- Eu hoje briguei com o Renato lá na escola.

- Hã? (Abrindo mais o olho)

- É, mãe. Ele queria tomar minha namorada.

- Mas brigaram de bater?

- Não, só xinguei ele.

- Ah... (Cochilando)

- Mãe, já dormiu?

- Não...

- Vão dormir bem agrudado?

- Vão...

- Mãe, você já sofreu por amor?

- Hem?!?! (Arregalando o olho)

- Eu tô sofrendo por amor, mãe. Muito... A Marcela...

- Me fala...

- Depois, agora vão dormir bem agrudado assim, que eu tô com

sono. Faz carinho nas minhas costas?

- Faço...

- Mãe, te amo. E não é de poprósito...


Dorme, filhinho, que eu já não durmo mais, fico velando o seu


sono e te fazendo carinho, minha cara de mãe abobada olhando


pro meu menino de quatro anos de idade. Sofrendo por amor.
 
 

"Cruisin' - Gosto Dessa!


O casal holywoodiano Gwyneth Paltrow e Huey Lewis cantam lindamente Cruisin! 
Desde que o filme "Duets" estreou no cinema a música se tornou um clássico





Oração das Mulheres Bem Resolvidas!






"Que o mar vire cerveja e os homens tira gosto, que a fonte nunca seque...

Que os nossos homens nunca morram viúvos, e que nossos filhos tenham pais ricos e mães gostosas!

Que Deus abençoe os homens bonitos, e os feios se tiver tempo...

Deus... Eu vos peço sabedoria para entender um homem, amor para perdoá-lo e paciência pelos seus atos, porque Deus, se eu pedir força, eu bato nele até matá-lo.

Um brinde... Aos que temos, aos que tivemos e aos que teremos. Um brinde também aos namorados que nos conquistaram, aos trouxas que nos perderam e aos sortudos que ainda vão nos conhecer ou já nos conhecem!

Que sempre sobre, que nunca nos falte, e que a gente dê conta de todos! Amém.




P.S.: Homens são como um bom vinho. Todos começam como uvas, e é dever da mulher pisoteá-los e mantê-los no escuro até que amadureçam e se tornem uma boa companhia para o jantar.

Quer Um Infarto?????

.... é simples assim:





1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.

2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.

3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.

4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.

5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.


6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.


7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.

8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro.


9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.


10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo.


11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.


12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.



Repita para si: Eu não perco tempo com bobagens.



OS ATAQUES DE CORAÇÃO

Uma nota importante sobre os ataques cardíacos.

Há outros sintomas de ataques cardíacos, além da dor no braço esquerdo (direito). Há também, como sintomas vulgares, uma dor intensa no queixo, assim como náuseas e suores abundantes.

Pode-se não sentir nunca uma primeira dor no peito, durante um ataque cardíaco. 60% das pessoas que tiveram um ataque cardíaco enquanto dormiam, não se levantaram. Mas a dor no peito, pode acordá-lo dum sono profundo..

Se assim for, dissolva imediatamente duas Aspirinas na boca e engula-as com um bocadinho de água. Ligue para Emergência (193 ou 190) e diga ''ataque cardíaco'' e que tomou 2 Aspirinas. Sente-se numa cadeira ou sofá e force uma tosse, sim forçar a tosse pois ela fará o coração pegar no tranco; tussa de dois em dois segundos, até chegar o socorro.


( Dr. Ernesto Artur - Cardiologista )

Sabedoria:


... e, quando indagado sobre sua idade,
eis que respondeu:




.... sabia das coisas ...

Purpurina!

(Música vencedora do Festival MPB-Shell de 1982,
 interpretada por Lucinha Lins
 Composição: Jerônimo Jardim)





Se você pensa que vai me seduzir
Se você pensa que vai me arrepiar
Pode ser, mas eu sou feito purpurina
Se uma luz não ilumina
Não há jeito de brilhar

Se você só chega por chegar
Nem uma lanterna no olhar
Nosso show não pode acontecer
Sem o palco se acender
Eu não vou representar

Se você pensa que vai me seduzir
Se você pensa que vai me arrepiar
Pode ser, mas eu sou feito purpurina
Se uma luz não ilumina
Não há jeito de brilhar

Pode ser, pois eu sou feito bailarina
Se a ribalta se ilumina
Fico roxa pra dançar.

Só P'rá Saber Que:




"Meus olhos arregalados
 não piscam pra qualquer um
nem fecham pra qualquer medo"


Amor, Amor...





Quando o mar
Quando o mar tem mais segredo

Não é quando ele se agita

Nem é quando é tempestade

Nem é quando é ventania

Quando o mar tem mais segredo

É quando é calmaria...

Quando o amor

Quando o amor tem mais perigo

Não é quando ele se arrisca

Nem é quando ele se ausenta

Nem quando eu me desespero

Quando o amor tem mais perigo

É quando ele é sincero...




(Sueli Costa)

Vestido.




Pois é - o que supunhas?

Às vezes fico assim, bem-comportada,

saia plissada, um pouco abaixo dos joelhos,

e nas unhas,

em vez dos tons vermelhos,

uso estas cores claras, nacaradas.


Às vezes fico assim: bem maquiada,

mas tão discretamente...

Limito o rosto com brincos de madame

– e brinco que inda assim há quem me ame,

mesmo contida, formal, séria, reservada.


E quando estou assim nem se pressente

sob o verniz dos gestos controlados

meus precipícios, o espanto adolescente

com cada pôr-de-lua em madrugada,

cada renovação do sol nascente,

com tudo, quase tudo. E com pequenos nadas,

com ínfimos detalhes comoventes.


Então: o que pensavas, afinal?

Às vezes passo assim dias inteiros:

tailleurs de tafetá,blusas de linho


- e a alma e o coração, meu companheiro,

descabelados,

em permanente e completo desalinho.




(Betty Vidal)

O Amor e O Outro...



Não amo
melhor

nem pior

do que ninguém.

Do meu jeito amo.

Ora esquesito, ora fogoso,

às vezes aflito

ou ensandecido de gozo.

Já amei

até com nojo.

Coisas fabulosas

acontecem-me no leito. Nem sempre

de mim dependem, confesso.

O corpo do outro

é que é sempre surpreendente.